Na terça-feira, o par EUR/USD passou por uma leve correção para baixo e manteve um viés baixista. De modo geral, o dólar conseguiu preservar as posições que havia "conquistado com esforço". No início da semana, ou melhor, durante o fim de semana, a moeda norte-americana contou, francamente, com um golpe de sorte. A origem desse movimento foi Donald Trump, que ao longo de 2025 pouco fez além de enfraquecer o dólar. Desta vez, porém, Trump decidiu conduzir uma operação militar na Venezuela com o objetivo de capturar o presidente do país, Nicolás Maduro. A ação foi concluída com rapidez pelas forças dos EUA, em poucas horas. E o dólar — que ainda conserva resquícios de seu antigo status de ativo de refúgio — avançou levemente, quase por inércia.
O próprio Trump afirmou que os Estados Unidos pretendem exercer controle sobre a Venezuela e que têm interesse no petróleo venezuelano. Não, segundo ele, no sentido de "levar tudo para si", mas supostamente por preocupação com a população pobre do país. Naturalmente, essa narrativa não convenceu os mercados, e muitos passaram a questionar qual teria sido, de fato, o objetivo real da operação.
Independentemente do que Delcy Rodríguez, Trump ou outros representantes oficiais venham a declarar, há uma realidade simples a considerar: o povo venezuelano pode não aceitar a proposta "generosa" do presidente norte-americano. A liderança da Casa Branca decidiu pôr a mão nas vastas reservas de petróleo da Venezuela, e a nova presidente do país, Delcy Rodríguez, supostamente teria o papel de facilitar esse processo. Primeiro, não está claro se a própria Rodríguez concordaria com esse cenário. Caso não concorde, Trump recorreria a uma nova operação militar — desta vez para removê-la do poder? Segundo, mesmo que as novas autoridades em Caracas aceitem algum tipo de acordo, isso não significa que a população venezuelana o apoiará.
Convém lembrar que, na Venezuela, a posse de armas é extremamente disseminada. Se as decisões da nova liderança não agradarem à população, o país corre o risco de mergulhar em uma onda de violência. Golpes ou revoluções não podem ser descartados. Quem controlaria essa situação? É difícil imaginar que seriam os Estados Unidos. No momento, toda a operação na Venezuela sequer parece uma tentativa consistente de controlar o petróleo local ou de interromper o tráfico de drogas para os EUA. Os americanos capturaram Maduro — mas o que vem depois? Isso eliminou automaticamente os cartéis de drogas no país? Ou as novas autoridades seriam capazes de fazê-lo em poucos meses? Em países como a Venezuela, esses grupos frequentemente detêm mais poder político do que o próprio governo, pois dispõem de dinheiro, armas e influência. Sob essa ótica, pouco tende a mudar.
Por outro lado, Trump obteve algo diferente: a oportunidade de "exibir força" diante da Colômbia, de Cuba e até da União Europeia. A operação na Venezuela parece ter servido como um recado a outros países com os quais Washington mantém disputas, incentivando uma postura mais complacente. Um exemplo é a Groenlândia, cujo controle Trump já manifestou interesse em obter. Após o episódio venezuelano, não se pode descartar que uma União Europeia passiva aceite algum tipo de concessão, como um arrendamento de longo prazo.
Ainda assim, é improvável que Trump busque conflitos militares prolongados. O episódio venezuelano terminou rapidamente e, em termos práticos, não resultou em mudanças estruturais relevantes no cenário geopolítico.
A volatilidade média do par EUR/USD nos últimos cinco dias de negociação, até 7 de janeiro, é de 53 pontos, sendo classificada como média-baixa. Para esta quarta-feira, espera-se que o par oscile dentro da faixa delimitada pelos níveis de 1,1635 e 1,1741.
O canal de regressão linear superior permanece inclinado para cima; no entanto, na prática, o gráfico diário ainda reflete um mercado em consolidação (flat). O indicador CCI entrou na zona de sobrecompra no início de dezembro, mas desde então já foi observada uma leve correção. Na semana passada, formou-se uma divergência de alta, o que sugere a possibilidade de retomada da tendência de alta.
Níveis de suporte mais próximos:
S1 – 1.1658S2 – 1.1597S3 – 1.1536
Níveis de resistência mais próximos:
R1 – 1.1719R2 – 1.1780R3 – 1.1841
Recomendações de negociação:
O par EUR/USD permanece abaixo da média móvel; no entanto, em todos os prazos mais longos, a tendência de alta segue intacta, enquanto no gráfico diário o mercado continua em consolidação (flat) pelo sexto mês consecutivo. O cenário fundamental global ainda exerce um papel decisivo e permanece desfavorável ao dólar. Nos últimos seis meses, a moeda americana apresentou apenas recuperações pontuais e frágeis, restritas ao interior de um canal lateral. Não há fundamentos que sustentem um fortalecimento de longo prazo. Enquanto o preço se mantiver abaixo da média móvel, podem ser consideradas pequenas posições curtas, exclusivamente por razões técnicas, com alvos em 1,1658 e 1,1636. Acima da média móvel, as posições longas continuam relevantes, tendo como alvo 1,1830 — a borda superior do flat diário — nível que já foi efetivamente testado. Agora, o mercado precisa romper essa lateralização para definir a próxima direção.
Explicações sobre as ilustrações:
- Os canais de regressão linear ajudam a determinar a tendência atual. Se ambos estiverem direcionados na mesma direção, a tendência é atualmente forte.
- A linha da média móvel (configurações: 20,0, suavizada) define a tendência de curto prazo e a direção na qual as negociações devem ser conduzidas atualmente.
- Os níveis de Murray são níveis-alvo para movimentos e correções de preços.
- Os níveis de volatilidade (linhas vermelhas) representam o canal de preço provável no qual o par provavelmente será negociado nas próximas 24 horas, com base nos indicadores de volatilidade atuais.
- O indicador CCI entrando na zona de sobrevenda (abaixo de -250) ou na zona de sobrecompra (acima de +250) sinaliza que uma reversão de tendência na direção oposta pode estar se aproximando.