Os operadores financeiros praticamente abandonaram as previsões de que a Reserva Federal reduzirá as taxas de juros no final deste mês, após a taxa de desemprego nos EUA ter caído mais do que o esperado em dezembro.
Como resultado, houve uma venda generalizada dos títulos do Tesouro de curto prazo. O rendimento dos Treasuries de dois anos subiu quase cinco pontos-base, alcançando o nível mais alto do ano. Os traders de renda fixa seguem precificando dois cortes de juros em 2026, mas o primeiro agora é esperado apenas para meados do ano.
O mercado futuro da taxa dos Fed Funds indica atualmente menos de 5% de probabilidade de um corte de juros no fim de janeiro. Há apenas uma semana, antes da divulgação dos dados de emprego, essa probabilidade girava em torno de 30%. A mudança brusca no sentimento reflete a percepção de que o Federal Reserve não tem pressa em afrouxar a política monetária, aguardando sinais mais consistentes de desaceleração do crescimento econômico.
As expectativas quanto aos próximos passos do Fed também foram ajustadas. Os traders agora projetam que o primeiro corte não ocorrerá antes de março, além de estimarem um número total de reduções menor ao longo do ano do que o anteriormente precificado.
Esse reposicionamento pode levar a uma reprecificação de ativos e influenciar decisões de investimento em diversos setores da economia.
Ao mesmo tempo, é importante ressaltar que os mercados permanecem altamente dinâmicos, e novos dados econômicos podem alterar rapidamente o humor dos investidores.
Nesse contexto, Morgan Stanley, Barclays e Citigroup postergaram suas projeções para cortes de juros pelo Fed para um período mais adiante — aproximadamente o início do verão. Ainda assim, essas instituições mantêm a expectativa de 50 pontos-base em cortes ao longo do ano, mesmo diante de dados de emprego abaixo do esperado.
Vale destacar que os números do mercado de trabalho divulgados na sexta-feira foram os primeiros a permitir uma avaliação mais objetiva da dinâmica do emprego após o shutdown parcial do governo dos EUA, que durou seis semanas, de 1º de outubro a 12 de novembro de 2025, e atrasou a divulgação dos relatórios referentes a setembro, outubro e novembro.
A avaliação sobre novos cortes de juros dependerá, em grande parte, de como o mercado de trabalho evoluirá nos próximos meses. Embora o Fed tenha reduzido a faixa da taxa básica em suas três últimas reuniões, em resposta ao enfraquecimento do emprego, alguns dirigentes seguem preocupados com a persistência da inflação acima da meta, fator que limita o ritmo de um maior afrouxamento monetário.
Enquanto isso, os traders também acompanham com cautela a incerteza jurídica em torno das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, após o Supremo Tribunal adiar sua decisão sobre o tema na sexta-feira.
Cabe lembrar que, em 5 de novembro, o tribunal manifestou dúvidas quanto à autoridade de Trump para impor tarifas com base na lei de 1977, que concede poderes especiais de emergência ao presidente. O caso agora está nas mãos da Suprema Corte, instância máxima do Judiciário. Uma eventual revogação das tarifas poderia reacender preocupações fiscais, elevando o risco de altas nos rendimentos de longo prazo e de um maior empinamento da curva de juros.
Ainda assim, especialistas observam que o impacto potencial sobre os mercados tende a ser limitado, dada a capacidade da administração de buscar rotas alternativas para restabelecer parte das tarifas.
Análise técnica
Em relação ao EUR/USD, os compradores precisam agora reconquistar o nível de 1,1680, o que abriria espaço para um teste de 1,1705. A partir daí, um avanço até 1,1725 é possível, embora seja difícil sem o apoio dos grandes participantes do mercado. O alvo mais distante permanece na máxima de 1,1740. Em caso de recuo, espero interesse comprador mais consistente apenas em torno de 1,1640. Se não houver reação nessa região, o cenário favorece aguardar uma renovação da mínima em 1,1619 ou buscar compras mais abaixo, em 1,1591.
Em relação ao GBP/USD, os compradores precisam romper a resistência em 1,3435 para viabilizar um movimento em direção a 1,3460, nível acima do qual um rompimento se torna mais desafiador. O alvo estendido está na região de 1,3488. Em caso de correção, os vendedores tentarão assumir o controle em 1,3403. Uma quebra desse suporte representaria um golpe significativo nas posições de compras e poderia levar o par para 1,3373, com possibilidade de extensão até 1,3341.